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quarta-feira, 23 de junho de 2010

PERDÃO

 Vergam-se os cílios
 Nos cálices do arrependimento

 Emborcam vis jornadas
 Embrutecidas no tédio doentio
 Propiciando suspiros envergonhados de dores

 Ó como mutilei o coração
 De uma princesa endoidecida nas drogas!

 Uma fervura de miolos
 Numa relatividade de momentos
 Principia o meu remorso cruciante de constrangimento:

 Se eu preciso te pedir perdão
 Que seja genuinamente poética a constatação...

 Poema pungente pode pedir perdão?

(por Fernando Gomes)


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