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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MEUS LOUCOS SUSPIROS

Incandescência dos meus destroços
Aviltando vírgulas intempestivas turbulentas

Invasões de metáforas do absurdo
Enlouquecendo os leitores pacíficos e leitosos
Como se o vento das cigarras ultrapassassem as luzes

Corações voluptuosos evasivos
Misturando-se em deleites cosmológicos azuis

Sutilezas inebriantes calcificantes
Envolvendo as membranas dos corpos rústicos
Como as estrelas palpitantes cintilando brilhos ofuscantes

Conspirações solares com lunares
Explodindo o universo em segundos de esplendor!

Natureza revogando adaptações
De uma humanização desclassificada sinuosa
Conscientemente irresponsável às aptidões de convivência

Terráqueos desleixados inconsistentes
Vossas almas inferiores confrontam-se impiedosamente

E o poeta desliza como uma ninja venenosa!

COMUNICAÇÃO INVÁLIDA

Poluição sonora hedionda
São estes monólogos das surdas faxineiras

Dialoguem as suas exposições afetivas
Experimentando a metodologia filosófica dos anjos
Que apesar de serem contundentes espelham serenidade

Falações desapropriadas e frívolas
Desandam os pensamentos meditativos das luzes

Ouçam o diálogo refinado dos deuses
Tripudiando as aberrações gramaticais insólitas
E as suas vozes amansarão os vossos ouvidos interditados

Comícios intermináveis e desastrosos
Afugentam os ouvintes exigentes substancialmente

Sejamos razoáveis com o nosso próximo!

SOFRERES ENIGMÁTICOS

Avançadas correntes entediadas
Aprisionam o meu espírito no cativeiro senil

Genialidade e loucura contíguas
Fascinam a minha humildade cínica e metafórica
Ainda que a linguagem obscureça-se vertiginosamente

Abundâncias doridas de ânsias
Atropelam a minha lucidez compacta de ideais alvos

Malabarismos macabros de horrores
Transcendendo vozes no labirinto predisposto
Exacerbando meu transtorno bipolar esquizogenético

Transposições do louco suicídio
Verbalizando os meus instintos afrodisíacos estéreis

Atormentações vis enigmáticas
Acelerando o meu processo de discernimento
E minha espiritualidade aflora em pretensões sublimes

Ó esta estrada infinita da minha poesia!

BANQUETE DAS PALAVRAS

O enredo dos alvéolos amarelos
Nesta fantasia eloqüente abrindo dicionários

Correlação ambígua de desejos
Na ópera magistral dos versos pseudônimos
Estereotipando inspirações coaguladas em mistérios

Filantropia dos signos adversos
Inundando as vossas mentes loucas e desasadas

Orgíaco perimetral embalsamado
Em convexos espelhos circunflexos estáticos
Espelhando grotescas protuberâncias enigmáticas

Losangos isométricos melindrosos
Enfatizando imagens alegóricas das emoções

Flutuações epidêmicas angustiantes
Preconizando oceanos de incensos nebulosos
Onde a minha mente estabiliza os seus efeitos colaterais

Arquipélago de ilusões salpicado
Impressionando os meus sentidos angelicais turvos

Neste meu banquete das palavras!

IMPRECISAS EMOÇÕES

Disfunções orgânicas cerebelos
Ovacionando sensações repelentes oníricas

Córregos de emoções latentes
Vulcânicos sentimentos esotéricos lascivos
Na evolução da retórica emocional impressionável

Esfacelamentos subconscientes
Anematizando imagens psicodélicas brumosas

Infrações cerebrais conjuntivas
Anelando constituições de luzeiros agônicos
Nestas infiltrações enigmáticas dos signos ovacionados

Holofotes estéticos de angústias
Pulverizando corações adormentados no tédio

Ó estes meus vendavais semânticos!

EU-POÉTICO

Alguns intelectuais poéticos
Querem a eliminação do eu-poético no poema

Brutos e insensíveis eruditos
Maquiavelizando a poética do emocional
Justamente quando o poeta diversifica personagens

O poeta canta a si mesmo
Porque de si mesmo brotam mil personagens!

Luto pelo purismo da poesia
Que tem o seu ponto de partida no eu-poético
Sendo a única injeção de extravasar as etéreas emoções

Se o pós-modernismo radicalizar
Eu quero voltar àqueles versos alexandrinos!

PERSIGUINDO A SIMPLICIDADE

Sou um poeta quase complexo
Atento em fazer poemas de qualidade inexorável

Não me atento no sentido das palavras
E criar neologismos é ingredientes poéticos
Que salpicam ilusionismos distraindo as sensações

O que importa o sentido dos signos
Se a poesia é sentimento de um raciocínio sensitivo?

Sentir no poema a sua beleza
É a minha simplicidade de convergir tentáculos
Como se a criação artística pretendesse esvoaçar seus véus

Enamorar-se com as palavras
É reatar com a simplicidade quase que esquecida

Ó como eu tento fugir do hermetismo erudito!

LAMPEJOS DE GENIALIDADE

Sensações hilárias mirabolantes
Sustentando signos adversos que me pululam

Farrapos da minha eternidade
Sobressaem modestamente anematizados
Desalinhando os meus neurônios substancialmente

Guerrilha de moléculas fortuitas
Acelerando o meu processo digerindo fixações

Diagnósticos lampejantes vibram
Entorpecendo o meu cerebelo de infiltrações
E minha racionalidade subconsciente exacerbando-se

Combustões genéticas generosas
Impulsionam os meus neurônios efervescidos

E é num lampejo que nasce o poema!

SUSPIROS DO ANOITECER

Nesta fragrância da floração
Cantam os grilos falantes com os pirilampos

A lua prateada se insinua
Compadecendo louvores amorosos alvos
Enluarando os amantes que sonham deslumbrados

As estrelas cintilam em constelações
Abrilhantando os luares desconcertantes de véus

O coaxa dos sapos esverdeados
Ornamentam a orquestra sinfônica do anoitecer
E o rio Guaíba estende-se leitoso à linha do horizonte

A chuva franzina escorre ladeiras
E a sensação térmica de 47 graus espuma odores

E o poeta suspirando solidões!

OS MEUS VERSINHOS

Miúdos pensamentos sortidos
Deslizam em minha mente de sortilégios

Veias dilatadas escorrem sangue
E minha paisagem cerebral ornamenta-se
Anestesiando miragens que ocultam viscosidades

Deslumbrados versos agônicos
Dissimulando verdades anormais insólitas

Festivais de luzes caleidoscópicas
Atravessam o meu cerebelo abaulado de dores
Confiscando os meus sentimentos antagônicos luzentes

Sombras latentes e orgulhosas
Desatinam sorrateiramente meus turvos céus

Agourentos pensamentos dissolutos
Atropelam as minhas vertigens psicodélicas sorvidas
Entrelaçando linguagens anastêmicas vulgo pellissolianas

Êxtase de bactérias horripilantes
Desativando o meu racional incômodo à poética

Ó luminosidades esquizogenéticas!

ESTRADA INFINITA

Desvendei os meus mistérios
Convencendo o meu ego dilatado de ilusões

Desvairei-me no sofrer inchado
Descobertando a nitidez das emoções ilícitas
E meus olhos esbugalhados se fartaram de lágrimas

Encobri as minhas vergonhas
Na silenciosa paisagem nutrida de pesadelos

Encarnei o verbo da verdade
E os meus segredos enrustidos afloraram-se
Tanto que um sorriso inefável se abriu em meus lábios

Estraçalhei todos os meus fantasmas
Espalhando a minha luminosidade irradiante

Morreram todas as minhas dúvidas
Nos rios que desaguavam as minhas experiências
E a brutalidade dos sentidos desfez-se excepcionalmente

Mas este desastre do meu fim
Escavou uma estrada infinita de estrelas cintilantes

Ó a minha vida é uma louca eternidade!

OS DESÍGNIOS DA ESPIRITUALIDADE

Os materialistas se submetem
Aos desejos insaciáveis dos prazeres materiais

Os empreendedores empresariais
Utilizam-se do vil mercantilismo para enriquecer
Pois para eles o gozo da vida está no poder de apossar-se

Os intelectuais renomados
Acumulam os seus títulos e os seus troféus de êxtase

Os políticos manipulam as massas
Movidos pela ganância de conquistar o poder obsoleto
Corrompendo a máquina administrativa com dinheiro público

Os padres da modernidade musical
Cantam melodias de conforto para seduzir os fiéis

Mas e deus o que pensa sobre tudo isto?

Aos desígnios da espiritualidade
Somente a lei do amor e da caridade promove o bem
Na escala evolutiva do espírito em cativeiro

A COMPLEXIDADE DO ILOGISMO

Envergam luares contrapontos
Adestrando emoções devassas desgastadas

Complexidade dos signos amórficos
Não podem espelhar os segredos da mente doentia
Ainda que a genialidade convergente rebrilhe indesatável

Não tente entender a poesia pellisoliana
Não mais que um suspiro instintivo intuitivamente

Tudo é possível no meu ilogismo
E quem ganha é a beleza do hermetismo erudito
Prontamente edificado nas fantasias lésbicas da natureza

Elaboro os meus poemas destemidos
Na indigência intempestiva da sutil irrealidade

Aprontem os seus indecentes raciocínios
Libertando-os das ilusões materiais desnorteantes
Para adentrarem-se na perenidade cósmica da minha ilógica

Ó humanos bem comportados
Porque não tentam escavar nas profundezas subconscientes?

Vistam-se na ilógica da eternidade!

DELÍRIOS MADRUGADORES

Ó como sonhei em ser estrela
Numa juventude apinhada de atrocidades

Navegava em nuvens turbulentas
Meu carrossel de ilusões espalhando prantos
E o sucesso que não vingou monstruosamente gélido

Suspiros alucinantes desasavam
E a luminosidade do meu olhar desencantava

E o amor carente de afagos
Definhava em largos passos perpassados
Tanto que o desenlace se deu dorido vertiginosamente

Ó como sonhei em ser estrela
Mas o sol incandescente renegou o meu lugar

E tornei-me este desastre em curso

NOITE DE CARNAVAL SILENCIOSA

O condomínio está silencioso
Nem parece que hoje começou o carnaval

É evidente que os foliões se foram
Para brincar na avenida e nos bailes e nas ruas
Só o poeta da tristeza que perdeu a graça de saracotear

Madrugada de grilos emudecidos
E cá estou eu a dialogar comigo mesmo

Agora eu ouço fogos de artifícios
Que me trazem lembranças festivas do ano novo
Nunca vi este tipo de comemoração em carnavais vivenciados

Meu poema não precisa de artifícios
Para explodir dentro de mim as emoções mais vivas

Apenas silêncio e serenidade!

SALVAÇÃO NO MUNDO MATERIAL

Esta é uma hipótese inenarrável
Em conjugar festividades driblando o inevitável

Querem digladiar-se ferozmente
Atravessando oceanos de solidões invictos
Mesmo que a perda do racional se dilate desmedida

É esta incessante busca da felicidade
Desenovelando muitas especulações desmioladas

Todos os prazeres materiais
São tolamente perseguidos mortalmente
Ainda que perder a vida no gozo é apenas ocasional

Salvação no mundo material
É abocanhar sozinha a extração da loteria federal

E reinar no mundo da ignorância maléfica

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ONDULAÇÕES DA MENTE

Navego num sistema interrompido
Causando uma inércia desesperada e inflexível

Milhares de formatações líricas
Atravessam a minha mente mentecapta ilhada
Nesta travessa de ovulações escandinavas destinadas

Cerebelos abaulados inocentes
Afugentam os meus pensamentos turbulentos

Oceanos de tristezas escarpadas
Abundam-me em direção da genialidade
E a fragrância do orvalho em meus olhos multiplica-se

Sentidos opostos me confundem
E a minha poesia insuflando versos anatômicos

Nos rios todos dos mundos cosmológicos!

SENSAÇÕES OBSCURAS

Quero escrever o meu poema
Mas emoções insólitas rastejam como serpentes

Formas angulosas de angústias
Infiltram-se entre os meus neurônios estupefatos
E a glória literária de uma lírica manchada me sondando

Quero escrever o meu poema
Na transparência cintilante das estrelas

Desejos fulminantes de alucinações
Absorvem a minha lucidez por ser desnecessária
Ainda que a substância da poesia se derrame em prantos

Quero descrever o meu poema
Nesta minha virgindade de criar o inusitado

Ainda que assuste os meus convidados

LUARES VIBRANTES

Num céu azul profundo
Estrelas cintilantes palpitam em nossos corações

Os amantes trocam juras de amor
Enquanto os luares vibrantes iluminam as emoções
E nenhuma nuvem atrapalha o cenário

Luares alvos e vibrantes
Desencadeando vibrações de ilusões perversas

Que só o tempo poderá madurar

ESPELHOS MÁGICOS

No mundo da fantasia
As imagens se parecem coisas diferentes

Existem vários segredinhos
Que nos emitem florações de encantamento
Refletindo esplendorosas belezas de arrepiar corações

No mundo da fantasia
Existem milhares de espelhos mágicos

Talvez o reflexo das imagens
Esteja sendo explorado em formas límpidas
Que o imaginário do refletido se mostra irreconhecível

Quando me olho nos espelhos mágicos
Enxergo todos os meus fantasmas em belezas renomadas

E a figura grotesca que sou desaparece!

A DESPROPORCIONALIDADE DAS COISAS

Um único jogador de futebol
Percebe um salário de cinco milhões mensais

Enquanto milhões de brasileiros
Percebem um salário-mínimo de quinhentos reais mensais
Que pensando bem, não dá nem para sustentar as fraldas dos filhos

Eu sei que você já se acostumou com isto
Mas o que eu não sei é se você já abriu os teus olhos?

Tem muita maldade reinando!

AS ASAS DOS ANJOS

Este é apenas mais um poemeto
E não tenho absolutamente nada a dizer através dele

A não ser o fato de que estou refletindo
Sobre as aparências angelicais dos anjos católicos
E não tenho a menor dúvida de que estão muito equivocados

Já me perguntaram como são os anjos
E eu respondi delicadamente como não são os anjos

- os anjos não têm asas e nem auréolas

ÁGUA PURÍSSIMA

Escorre em minha boca sedenta
Esta água cristalina como uma cortesia dos deuses

E se alastra vertiginosamente
Em minha face espantada com tanto louvor
E meus olhos a recebem lavando estas lágrimas sangrentas

Meu corpo já envelhecendo
Também se depura alargando os poros invisíveis

Ó que água mais cristalina e benta!

UM VELHO LOUCO

Eu tenho um inimigo de carteirinha
Ele está sempre a me humilhar e me diminuir com ofensas

Todos o chamam de velho louco
Mas ele diz que apesar de ter colaborado em espalhar a sua loucura
Que de louco ele só tem mesmo é a aparência

Parece que ele adora a boa leitura
E costuma ler cinco livros simultaneamente
Só para não perder o hábito da leitura e driblar o tempo

Eu acho que ele não absorve quase nada da literatura
Pois é um velho ranzinza e grosseiro

Dizem as más línguas da vizinhança que ele toma os controlados
E se não toma eu penso que ele deveria tomar

Mais do que leitura, ele precisa mesmo é de psiquiatria
Mas eu sou mais louco do que ele, pois sou sem contestação
Seu amigo verdadeiro e seu poeta ouvinte

Pois o velho louco fala mais que dez mulheres juntas!

AS MASSAS OPRIMIDAS

Os governantes continuam a escravizar
Os nossos dias de trabalhos forçados e mal remunerados

Onde é que estamos evoluindo?
Em cidadania eu tenho certeza que estamos gatinhando

Ó mundo vil elitizado economicamente!
Quando me sinto oprimido pelo poder obsoleto
Eu sou um passarinho sem asas sendo pisoteado até a morte

Ainda que eu não seja um trabalhador assalariado
Já provei o desprazer de ser faxineiro do Banco do Brasil

Ó como o trabalhador é humilhado!

O MEU ESCONDERIJO

Sou diferente das pessoas
Não moro neste mundo rico em aparências

Quero confessar meus dois segredos
Que palpitam no universo das constelações espúrias
E mansamente te elucidar meus conceitos do caduquismo

Não faço parte deste mundo
Porque o planeta Terra não domicilia os loucos
E a minha loucura ultrapassa a lógica bem comportada

Sou diferente das pessoas
Não consigo me doutrinar a trabalhos forçados

Não admito ser escravizado
E só sei escrever poesia e pintar os meus quadros
E exercitar os meus conhecimentos através da boa leitura

Meus dois segredos?

Eu sempre fui domiciliado na lua
E sou um legítimo e incomensurável lunático!

A MINHA POESIA É TRISTE

Perdi a alegria em Copacabana
Onde descobri o amor de uma sereia carioca

Dei o meu coração para ela
E ela o roubou de mim desastrosamente
Enquanto eu sonhava em ser feliz nas ondas do seu mar

Rompemos o nosso elo amoroso
E as atrocidades da existência de um apaixonado
Escorreram todas as minhas lágrimas

Como não surtar?
O que sobrou de mim foi apenas um morto-vivo
Recheado de tristezas escarpadas

Ó e como é doloroso o meu sofrer!

VIBRAÇÕES NOTURNAS

Eu gosto do silêncio da noite
Com seus mistérios ondulados me inspirando

Se eu filtro melhor a minha poesia
Atravessam suspiros embalando meus cortejos
Onde a maestria das palavras pousa sendo meus arcanjos

Quero reflorescer os meus poemas
Num jardim resplandecente dominando meus anseios

Só para embelezar os passos da minha poesia

CANÇÃO DE NINAR DEFUNTO

Dormes em paz meu amor
Que o bicho-papão não vem te pegar

Enquanto tu dormes no teu pedestal
O teu cheiro de rosa vermelha me apaixona
E as duas estrelas nos meus olhos te iluminam versos

Um silêncio profundo te guarda
E nas tuas dores tu não podes mais escarnecer

Então dormes o sono dos justos
Que na próxima encarnação vou te amar novamente

Mas que seja bem devagarzinho
Para não assustar os lampejos do meu êxtase

Dormes em paz meu amor!

METÁFORAS DO ABSURDO

Meu mundo do caduquismo
É um leque de suspiros transpassando horizontes
Numa dicotomia transversal de sonhos

Paisagens indigestas do amanhecer
Onde a vida me crucifica em alucinações tenebrosas

Correntes de espinhos desgraçados
Atormentam os meus pés alados eruditos
E as nuvens de andorinhas estraçalham meus joelhos

Respingos do orvalho esvoaçado
Adquirem proezas insustentáveis no meu coração

E um oceano de tristezas me afoga!

MEU GRANDE DILEMA POÉTICO

Cada poeta é única cópia
Com seu estilo implacavelmente inusitado

Mas às vezes acontecem impasses
Nesta impiedosa estrada da criação artística
Propiciando um arquipélago de neuroses desafiadoras

Escrevi trinta livros de poemas
Fazendo uso de uma linguagem hermeticamente rebuscada

E descobri que meus poemas não eram bons
Tanto que recomecei a escrever num estilo mais moderado
E descobri nesta delicadeza das palavras simples o meu esplendor

E agora meu deus do céu
O que fazer com mais de mil e seiscentas páginas?

Devo publicar meus poemas de loucuras?

Ou serão hermetismos enfurecidos?

O OBSCURO DAS PALAVRAS

Esta sensação transparente
Neste infortúnio alegórico de palavras inaudíveis

Esta consistência da linguagem obscena
Envolvendo os meus versos de construção enigmática
Através da obscuridade de temáticas ricas em excentricidades

A verdade é toda imperativa
E nossos constrangimentos psicológicos me enlouquecem

Só mesmo o pavor das palavras inauditas
Para conceber a mensagem de que nada está perdido
Neste córrego acinzentado de ilusionismos de títulos arcaicos

Existem respostas para quase tudo
Só o nosso deus único que sempre permanecerá insondável

SOBRE AS RELIGIÕES

Tantos fanáticos religiosos
Espalharam por este mundo a fora mil vergonhas

Vergonhas que se multiplicam
Em absurdas verdades entupidas de idiotismo cancerígeno
Desafiando consciências cósmicas iluminadas pelo magnetismo

Quem foi Jesus em verdade?
Terá sido deus que se fez o verbo e a carne material?

Milhares de fanáticos religiosos
Apodrecem os seus cérebros crendo na possibilidade
Que deus e Jesus e espírito santo são uma única entidade anormal

Sobre a trindade universal
Apresentam-se deus e a matéria e o espírito

Ó meus irmãos camaradas de longas jornadas
O messias sempre foi e sempre será um filho querido de deus

A BELEZA DOS VERSOS

O desenho de cada letrinha
Contornando as emoções projetadas de um coração

O cotidiano das coisas perecíveis
Contracenando com a natureza de vales verdejantes
E borboletas multicoloridas pousando nas folhas esverdeadas

Cavalos troteando nos campos
São como tratores aliciando os pastos primaveris

A chuva franzina que escorre lá do céu
E cai sobre os casebres das estradas brejeiras e apaixonadas

O desenho de cada letrinha
Formando o meu alfabeto de poetizações
Ainda que de uma poesia simplória dos poetas menores e tristes

O desenho de cada letrinha de sonhos imortais

CORAÇÃO DE POETA POBRE

Esta mania desconcertante
De querer mudar o mundo num movimento cultural

Num estalar de dedos marciais
Pudesse metamorfosear os instintos animais
De uma geração que continua a imitar os erros do passado

Este sonhar tolamente poético
Que me faz acreditar em políticos revolucionários

Coração de poeta paupérrimo
Aludindo conspirações de harmonias celestiais
No processo de regeneração deste expiatório planeta Terra

Expulsando os maus espíritos degenerados

CONCEPÇÃO DE MUNDO

Os avanços da tecnologia
Oferecendo um mundo enternecido de bugigangas
Desaguando nos mares da materialidade

As novidades incessantes
Corrompendo a mediunidade da transparência
São meras alavancas distorcendo a realidade da existência
Desmotivando o avanço da espiritualidade
Dos espíritos cegos e indóceis

Os avanços da tecnologia
É uma necessidade da vil economia mercantilista

Os tempos modernos
Estão imbuídos de uma felicidade efêmera
Que se dissolve a todo instante aos olhares céticos e sedentos

E o portal da espiritualidade esquecido?

O DESEJO É INSACIÁVEL

Tenhamos ou não consciência
Todos os nossos desejos são tolos e insaciáveis

O desejo é fruto da infelicidade
Que povoa os nossos corações de ingenuidade
Alastrando as decepções provenientes de nossas desilusões

Tenhamos ou não consciência
Somos todos objetos de frustrações momentâneas

Desejar mais é estar insatisfeito
É querer da vida mais do que ela pode oferecer
E a perda de um desejo material pode nos levar ao suicídio

Tenhamos ou não consciência
A reflexão é a única que poderia nos aproximar

Das verdades ocultas do espírito

A VIDA É BELA?

Morrem duzentas mil pessoas
Num monstruoso terremoto lá no triste Haiti

Milhões de desalojados
Ficam sem casa e sem roupas e sem comida
E há de se pensar que melhor destino foi abraçar a morte

A vida é mesmo bela?
Estamos aqui para gozá-la deleitosamente?

O buraco é muito mais profundo

A MINHA SOLIDÃO

Sou tão triste sozinho
Que estou sempre a conversar comigo mesmo

Cada palavra sendo exposta
Vai esmiuçando os segredos de uma velha criança
Num fogaréu de um metro e oitenta e três de altura de sonhos

Sou tão triste sozinho
Que me apego permanentemente na minha poesia

Se o poeta canta a si mesmo
Nesta diversidade de emoções multicoloridas
É porque a sua multiplicidade de dores abrange a dor do mundo

Sou tão triste sozinho
Pois moro num bosque que se chama solidão

MINHAS VÁRIAS MORTES

Morro todos os dias
Levado pela minha emoção derradeira

São tantos aborrecimentos
Que estendo minha face na morte permanente
Como se os sinos das igrejas não fossem mais badalar

Mas a cada amanhecer
Renasço envolvido na teia do meu sofrimento

Não sei se vivo ou se morro
Nas entranhas de um porvir desequilibrado
Onde o meu desejo insaciável de viver já esmoreceu

Mas em cada triste renascer
Vou tecendo o tecido desta minha eternidade

De morrer minhas mortes de renascimento

ÚLTIMO SUSPIRO DA POESIA

O silêncio é profundo e penetrante
São três horas de uma madrugada azulada de ideais

Não vejo as estrelas da minha janela
E os grilos falantes estão dormindo profundamente
Enquanto o poeta - que sofre de insônia - vai adormecendo

Enquanto a noite dorme solenemente
Espanto-me desta beleza singular do palpitar das estrelas

E do último suspiro do meu cantar

CONTADOR DE HISTÓRIAS

Alguns poetas famosos
São horripilantes contadores de histórias

Começam os seus pensamentos
E atravessam o poema narrando acontecimentos
Numa linguagem denotativa típica dos sábios contistas

Ó poeta contador de histórias
Melhor seria se tivesse nascido exímio prosador!

Não me refiro à prosa poética
Pois esta se define numa linguagem figurada
Conotando as emoções articuladas do poeta cantador

Alguns poetas famosos
Escrevem prosas dispersadas em versinhos

Num ritmo dissimulado e contínuo

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DA ALEGRIA

Eu sonhei muito em Copacabana
E quem sabe até tenha encontrado uma fada perdida

Ah foi um tempo de serafins lindos
Com olhos azuis e perninhas levemente arqueadas
Que enchiam o meu peito de saudosas e saudáveis alegrias

O amor da mulher amada era intenso
E as minhas verdades não passavam de suposições

Era tão feliz no nosso apartamento
Que me esqueci de conhecer o cristo redentor
E me aventurar no famoso bondinho do pão de açúcar

Ah o meu sorriso era folgado
E eu nem me importava que às vezes passasse fome
Num curtíssimo estágio de alegria do meu viver extasiado

Depois a vida me chamou para ser poeta
E a tristeza escarpada tomou conta do meu coração

O POETA É TRISTE

O poeta é todo tristonho
Porque nele estão contidas as dores do mundo

O poeta é todo tristonho
Porque a sua alma é de angústias imensas
E sua vestimenta são emoções trituradas no espanto

O poeta é todo tristonho
Porque a sua matéria não se ilude dentro do tempo

O poeta é todo tristonho
Porque a vida desfaleceu milhares de crianças
Que coabitavam contíguas na serenidade do seu sonhar

O poeta é todo tristonho
Porque é eterno o renascer das lágrimas do amanhecer

Onde o mundo é uma grande ilusão

SENTIDO DA EXISTÊNCIA

Será que estamos perdidos?
Ou o tempo ainda não madurou os nossos ideais?

Sabemos de onde viemos
E para onde vão as nossas almas alucinadas?
Quem poderá nos mostrar o caminho da etérea verdade?

Os nossos filhos estão céticos
Envolvidos nos tentáculos da tecnologia milagrosa?

Afinal, quem somos nós
Dentro e fora do corpo material em decomposição?
Onde estão nossos pais que já partiram rumo ao desconhecido?

O meu sentido da existência
Eu encontrei na senda do imortal espiritismo

E confesso que desgostei da verdade

MINHA ALEGRIA DE VIVER

Onde está a minha alegria?
Em que estação de metrô ela ficou perdida?

O meu largo sorriso nos lábios
Na minha intensa paixão de viver a minha vida
Era uma demonstração lírica do meu canto de felicidade

A intensidade da minha vida
Era como a beleza incomparável do arco-íris

Onde perdi a minha alegria?

UM VELHO POETA

O tempo é imperdoável
E não me dispensa de suas marcas profundas

Eu confesso que não percebi
A navalha do tempo destruindo a minha escultura
Que deus esculpiu num momento de desastre em curso celestial

Estas imagens grotescas que sou
São resquícios de uma vida em profundo desamor

Eu gostava tanto de ser feliz
Como num encantamento de borboletas coloridas
E o lúdico dos meus sonhos afugentava os meus vendavais

O tempo matou a minha criança
E restou-me apenas o perfil de um velho poeta

Sem sonhos nesta triste melancolia

SONHO DE ARTISTA

Como eu posso entender
Esta euforia que faz vibrar o meu coração?

Talvez eu esteja equivocado
Em destinar a minha vida nesta direção
Como se eu fosse o príncipe das tristezas escarpadas?

Este meu sabor extinto
Que foi se diluindo através do sofrer exposto

Às vezes, eu penso em desistir
Tamanha a falta de critério das minhas fantasias
- sou um pássaro que perdeu o ninho com as suas ninhadas

Mas eu me percebo vivo
E mais vivo ainda está o meu sonho de artista

É por isso que eu ainda sobrevivo

MINHA CONDENAÇÃO

Esta parte secreta em mim
Que manipula os meus instintos animais
E me faz sonhar com o delírio das estrelas cadentes

Este desejo latente
Que me absorve completamente os sentidos

Esta obsessão que me fulmina
Trazendo o vômito do meu íntimo impessoal
Que destrava a minha linguagem insólita e figurada

Esta minha condenação
Que me ajoelha diante das dificuldades

Esta teimosia ilógica
Adestrando a minha lógica comportada
Impõe desígnios inevitáveis ao meu subconsciente

Esta minha necessidade
De criar o inusitado das mansões do infinito

Esta minha crucificação
Que desdobra meus compartimentos sensuais
Causando uma congestão de emoções descontroladas

Esta minha condenação
É esta minha complexa arte de escrever poesia

A PROCURA DE UM ESTILO

Noites mal dormidas
À procura das palavras mais significantes

Processo mutante de emoções transfiguradas
Nos apelos das vozes magistrais da límpida poesia
Corrompendo os meus anseios de belezas incomensuráveis

Chega de barbarismos!
Basta de hermetismos confusos e tresloucados!

Quero antes o meu lirismo
Na simplicidade de estruturar os meus poemas
De encantar o meu povo com versos fartos de humildade

Chega de entupir o poema
Com metáforas do absurdo sem sentido algum!

Quero ser um poeta popular
Transparecendo a retórica da boa convivência
Nas andanças do meu povo cantando os meus singelos poemas

Ó liberdade dos deuses poéticos
Que venha a pureza da lírica deleitar-se em meu zelo

O PERCURSO DA VIDA

Esta mágica ilusão
De estarmos nos contorcendo no picadeiro da vida
Esta velha mania de crermos na alegria

Somos inocentes peregrinos
Caminhando e sonhando sob os luares sinuosos

Cada passo que vamos dando
Neste tapete avermelhado de dores infindas
Vamos acomodando os nossos ideais conforme os prantos

Este jogo de opiniões
Destruindo os fracos na confraternização dos fortes

Se nós estamos evoluindo
Nestes mares incessantes do tempo estabelecido
Podemos recomeçar nossos percursos desarticulados?

É através da reencarnação
Que vamos aprimorando a psique do nosso espírito

LUZ INTERIOR

Quero te confessar segredos
Nesta avalanche de emoções esvoaçadas ao vento

Anunciar os meus rigores amorosos
Que eu tenho ao desfrutar de uma vida sem censuras
Sem a licença do expediente das minhas histéricas enfermidades

Há no meu mundo interior
Uma luz intensa incessante num tempo de serafins

Iluminado de estrelas moleculares
- distribuídas entre lipídios e gorduras e proteínas e carboidratos
Componho minha sinfonia poética hermenêutica

A minha luz poética
É uma espécie de condenação artística nas minhas veias

Escorrem as águas lúcidas de esperanças
Acompanhando a minha temperatura de poeta menor
Enquanto uma nuance de luzes coloridas se abrem no espaço

Minha luz interior
É um respingo do teu luar que me ilumina

MEUS VENDAVAIS

Os ventos da minha vida
São fantasmas de solidões não resolvidas

As pedras que me tropeçaram nos caminhos tortuosos
São os meus carrascos voluptuosos
Atravessando e espetando as flores do meu coração de ilusões

Vendavais que ferem o meu rosto
E dilaceram de escárnio o meu corpo indolente

Minhas crises existenciais
São boleros que se perderam no ritmo desajustado das pistas
E me fazem desfalecer de tristezas escarpadas

Meus ventos de agonia
- estante de livros espiritistas envelhecidos!

Folhas ressequidas e esparramadas pelo chão
São os meus sonhos imaturos dispersos num tempo sem fim
Anunciando meus verões férvidos de lucidez plena
Só para sofrer lentamente meu desamor

Vendavais lucíferos
Que se apropriam do meu coração ingênuo

A MINHA POESIA

A minha poesia
É apenas um instante de lucidez
Na escadaria dourada da minha eternidade

São fragmentos de tristezas
E resquícios de alegrias que se foram através dos tempos

A minha poesia
É o que sobrou do anjo de asas caídas
Que sobrevoou a incandescência dos amores perdidos
Na indecência do desamor

O desejo da minha morte
É a sorte que não tive de ser um amante feliz

Suponho que a minha cegueira
Em não ver que o meu destino anda desalinhado
É este caos absoluto da palavra a/deus

A minha poesia
É do tecido das madrugadas insensatas e escarpadas
Que me escapa das minhas mãos sonhando luares

A VOZ DO POEMA

Não quero do meu poema
A cristalização das palavras sem sentido

Não quero distanciar meu discurso tolamente refinado
Da consciência dos pobres e dos humildes
Que procuram decifrar meu hermetismo desequilibrado

Estou ainda cheio de graça
Pra compor os meus poemas de lucidez
Que atestam a presença iluminada do meu povo heróico
E me vejo refletido no brilho estelar
Das constelações
Dos meus novos amanheceres

Quero ser a polpa das frutas
E que elas sejam apodrecidas no sumo deste amor
Neste abismo que é o meu povo ruminando dentro de mim
Estas histórias de estremecer a minha alma
E a minha pátria de ilusões

Quero ser tão simples
Como a água transparente das nascentes

FICO PENSANDO NO PASSADO

Estou preso no passado
Não porque desconheço a imortalidade do instante
Mas porque sou pedaços de sonhos

Tenho as minhas recordações
Porque o meu amor está preso na tua imagem
Que teima em queimar as sobras do meu triste coração
Decepado nestas minhas dores

Estou preso no nosso passado
Circunscrito no nosso pequeno apartamento sala e quarto
Onde as sombras das solidões não tinham guarita
Nem tínhamos tempo de chorar as mágoas
Tamanha a adoração entre os amantes

Sou prisioneiro do passado
Porque o meu presente é a neutralidade dos momentos
E o meu corpo está morto
Sem a sensualidade das tuas carícias

O presente é o meu vazio
Supostamente preenchido no meu passado agônico