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sábado, 26 de junho de 2010

SILÊNCIOS TUBERCULOSOS

Os meus distúrbios orgânicos
 São flores despetaladas contra o vento.
 E meus versos são mil pânicos!

 Desfaço das rédeas do fracasso
 Como a flechada de um índio certeiro.
 E nos pés de lama eu amasso
 As cartas inúteis de um carteiro...

 Os meus silêncios tuberculosos
 São vasos quebrados da crestadeira
 Nos meus dilemas musculosos...

 Refaço os móveis da tragédia
 Como um marceneiro tresloucado
 (que depois de fazer muita média)
 Não termina ao preço combinado

 Os meus poemas dilacerados
 São vozes de um povo acomodado
 Nos deslizes transpassados...

 Despedaço os meus sonhos ilhados
 Como uma cachoeira sobre os penhascos!

(Rafael Gafforelli)




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