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domingo, 4 de julho de 2010

INSULAMENTO II



 Eu não preciso de ninguém
 Que me sirva um consolo ou uma caridade,
 Pois a minha alma está além
 Da irreal felicidade...

 Ninguém pode penetrar
 No vácuo inconfundível do meu pensamento,
 Pois eu vivo solto neste mar
 Do meu sentimento...

 Impróprio é me chamar
 Ao convívio salutar da boa-aventurança;
 Pois eu só sei me desarmar
 No eco da esperança...

 É possível que eu mude
 (na trajetória trágica da minha existência);
 Mas se eu não morri no açude
 É que eu tenho persistência...

 Se eu navego sozinho
 É porque eu me perdi do teu impoluto amor.
 E se eu não bebo mais o teu vinho,
 É que eu tenho sede de dor...

 Quem pode me metamorfosear
 Neste pesadelo desnorteado tragicômico?
 Quem vem comigo chorar
 Ou fazer média?

 II

 Deixem-me de lado.
 A vida material é passagem momentânea.
 Que eu sofra mais um bocado:
 A morte é instantânea!...

 Eu sei que estou infeliz
 Neste transcurso caótico onde estou morrendo;
 Mas será que eu não serei feliz
 A quem está me vendo?

 Será que esta vida
 Foi criada por Deus para se obrar a diversão?
 Será que a tua alma está perdida
 Nesta tua dispersão?

 Não me pegue pelo braço,
 Eu quero ser sozinho no meu insulamento:
 Que eu seja o suor do meu fracasso
 Tisnado pelo vento...

 Sou apenas um poeta
 Desviado do grande amor eterno.
 Tenho a alma toda irrequieta
 Neste meu inverno...

 Eu quero ser feliz;
 Mas a vida nunca é como a gente quer:
 Sou poeta, pobre, infeliz
 E sou qualquer...

(por Fernando Pellisoli)

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